| Atrofia Progressiva da Retina | |||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Enviado em Mon 23 Mar 2009 por Elenice (1184 leituras) | |||||||||||||||||||
|
Por: Elenice Dueñas, Gloriette d'Artémis, com a colaboração de Carol do Domaine d'Haïsha *Tradução: Elenice Dueñas Fotos: Marcelo Pabst Desenho: Wikipédia A Atrofia Progressiva da Retina (APR ou Progressive Retinal Atrophy - PRA) é uma doença ocular de origem hereditária que se caracteriza pela degeneração irreversível da camada retinal fotoreceptora do olho. Várias raças de cães, e até mesmo os SRD (Sem Raça Definida), podem ser atingidos por esta doença. Neste artigo, abordaremos a forma de APR mais comum no cocker spaniel inglês, a prcd - PRA (Progressive Rod Cone Degeneration). Esta doença não tem cura e leva o cão à cegueira. A doença atinge simultaneamente os dois olhos. Ela provoca a degeneração e morte das células da retina. Para entender melhor a doença é preciso conhecer o funcionamento da retina. A retina é um tecido complexo, localizado na parte posterior do olho. Quando a luz bate na retina ocorre uma série de reações químicas que dão origem a um impulso nervoso que atravessa as camadas desta até o nervo óptico e deste até o cérebro, onde a imagem se forma. Na retina há células chamadas bastonetes que são responsáveis pela visão noturna e outras células chamadas de cones que são responsáveis pela visão diurna e pela percepção das cores. A Atrofia Progressiva da Retina afeta os bastonetes e os cones gradualmente. Sinais clínicos Os sinais clínicos surgem progressivamente, o estágio inicial da doença se caracteriza pela cegueira noturna. O que faz com que o cão passe a não enxergar em ambientes de pouca luz. A dificuldade em enxergar vai gradualmente aumentando, pois as células perdem sua função normal, até o ponto em que o cão passa a não enxergar mais em plena luz do dia. As pupilas do cão ficam dilatadas e nota-se um brilho anormal nos olhos. O período até que o cão fique totalmente cego varia consideravelmente de cão para cão. No entanto, vários criadores da raça pelo mundo já perceberam que quanto mais a doença está “ancorada” sobre uma linha de sangue mais “precocemente” a doença se manifesta em certos cães da linhagem. Há casos em que a doença surgiu por volta dos 4 anos de idade. Na maior parte das vezes, a média de idade da aparição da doença é de 8 anos. Um cão com 8 anos de idade é ainda dinâmico e a cegueira pode lhe atrapalhar a vida. A doença é indolor. Às vezes, uma catarata pode se desenvolver ao mesmo tempo da APR ou até mesmo após a aparição da APR. Neste caso, se advir um glaucoma pode causar dor. Esta é uma doença hereditária recessiva, ou seja, os pais da ninhada (tanto o macho quanto a fêmea) devem ter o gen da APR, pois só assim ela é transmitida à descendência. O cão que não tem este gen é normal e chamado de “homozigoto normal”, ou seja, as cópias do gen são idênticas. Um cão portador do gen da doença e outro gen normal é chamado de heterozigoto”, ou seja, ele porta o gen e pode transmitir este gen para a descendência, mas ele próprio nunca desenvolverá a doença. Já um cão afetado tem os dois gens da doença, a este chamamos de “homozigoto afetado”. Este último cão transmitirá o gen da APR para a descendência e ele próprio, mais cedo ou mais tarde, desenvolverá a doença. Hoje em dia já podemos contar com testes genéticos para saber se um cão é Normal, Portador ou Afetado. Detalhes sobre o teste de detecção da prcd - PRA, clique aqui. Esquema do modo de transmissão da Atrofia Progressiva da Retina:
O que fazer para ajudar seu amigo de quatro patas O cão continuará tendo uma vida normal se a rotina em que ele está acostumado a viver não se alterar. A ajuda do proprietário e de todos os integrantes da família é indispensável neste caso. Facilitar a vida do cão só depende de atitudes simples como, por exemplo: não mudar os móveis de lugar (pois o cão tem boa memória visual e saberá a posição dos objetos na casa), não deixar objetos atirados pelo meio do caminho em que o cão se locomove, e nem levar o animal em ambientes que ele nunca tenha estado antes de ficar cego. Falar com o cão, para que através da audição ele saiba onde você está, e utilizar comandos suplementares para auxiliar o amigo de quatro patas a levar uma boa vida ao seu lado também o ajudará. Esperança Atualmente, não existe nenhuma forma de tratamento para a APR, pois é uma doença hereditária. O futuro, com certeza, está na terapia genética. Muito importante para o futuro da raça Preservar a diversidade de linhas de sangue é primordial para o futuro da raça cocker spaniel inglês. Os criadores sérios e responsáveis sabem que não se está na fase de descartar sistematicamente todos os cães portadores do plantel, pois os objetivos principais são: - não produzir cães afetados; - identificar os cães portadores. Os laboratórios de pesquisa genética na Europa encorajam o criador a trabalhar com os cães portadores e não só com os normais (em função de outros critérios igualmente) sob pena de se empobrecer o patrimônio genético da raça, aumentar a taxa de consagüinidade e de surgirem outras taras hereditárias. Alerta do laboratório europeu Antagene De acordo com o laboratório de pesquisa genética europeu Antagene, a eliminação de uma anomalia genética deve ser feita sempre progressivamente sem aumentar a consagüinidade e sem excluir da reprodução linhas inteiras de reprodutores sob o risco de colocar em perigo a diversidade genética da raça e de emergir outras doenças genéticas. Visto a alta incidência da doença na raça cocker spaniel inglês (aproximadamente 50% de cães são portadores ou afetados) seria perigoso querer erradicar os portadores sãos em curto espaço de tempo.
- perda de certas características para a raça; - perda da diversidade genética indispensável à adaptação a longo prazo de toda uma população animal; - o risco de aumentar a consagüinidade conduzindo, inevitavelmente, ao surgimento de outras doenças genéticas. Por conseqüência, nas raças ou nas linhas de sangue em que uma doença é muito freqüente é imperativo levar em consideração todos os critérios que dispõem o criador e de não excluir cegamente todos os cães portadores: o remédio seria realmente pior do que o mal. Para saber mais: A APR e o teste Optigen Optigen Antagene Genindexe Fonte: Optigen, Antagene, La Gloriette d'Artémis, dra. Mirna Marques. |
|||||||||||||||||||
| Índice :: Imprimir :: Enviar a um amigo |
