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A comunicação entre homem e cão
  Enviado em Thu 15 Oct 2009 por Elenice (353 leituras)
Texto e fotos: Elenice Dueñas,
jornalista.
  A comunicação faz parte da vida dos seres vivos. Saber transmitir uma idéia é fundamental na nossa sociedade. Isto não inclui somente a relação entre pessoas, pois como o ser humano trouxe para dentro do lar outras espécies animais que não usam o mesmo código, é uma obrigação dele aprender a se comunicar da melhor maneira possível com seus animais de estimação. Os que não pensam assim deveriam fazer um esforço de reflexão para tentar, ao menos, perceber que são responsáveis por tudo aquilo que cativam, como já dizia Antoine Saint-Exupéry, no clássico “O Pequeno Príncipe".
A palavra comunicação vem do latim “communicare” que significa estar em relação com, sendo a comunicação uma troca, uma relação entre dois ou mais seres vivos. Sendo assim, a qualidade da nossa relação com os outros e com nossos animais de estimação dependerá da nossa qualidade de comunicação com eles.
  Recordando minhas aulas de teoria da comunicação, recorri aos meus velhos livros que estavam empoeirados na estante. Resumindo, podemos dizer que os seres humanos utilizam três canais de comunicação: a linguagem verbal apoiada pela para-verbal (entonações, ritmos e pausas), sendo ambas acompanhadas pela linguagem não-verbal (gestos, postura, atitudes). Os homens utilizam as três formas para serem compreendidos entre si.
Já os cães captam as mensagens humanas através dos canais não-verbal e para-verbal, uma vez que o discurso humano (aquele monte de blá, blá, blá) não faz sentido aos animais.
Quando uma pessoa diz para a outra que está calma, mas a entonação da sua voz não demonstra isto, ou ainda, a postura corporal é tensa, o outro ouvinte vai com certeza dar pouco crédito para a afirmação ou até, por vezes, duvidar categoricamente. Os cães vão fazer a mesma coisa, pois se apóiam na linguagem corporal e no tom da voz. Não adianta o sujeito estar irado e dizer “vem aqui meu lindinho”, pois o animal responderá sempre ao não-verbal e ao para-verbal, ou seja, não atenderá o chamado.
  Para não criarmos um “diálogo de surdos” com nosso amigo de quatro patas, temos que investir na comunicação não-verbal, reforçada pela entonação, pelo ritmo e pelas pausas na voz. Temos que ser ainda coerentes em nossos propósitos, ou como diz a etóloga Danièle Mirat: “temos que ser confiáveis”.
Quando não somos compreendidos por alguém é sinal de que fracassamos na comunicação com esta pessoa. Podemos dizer o mesmo quando não conseguimos nos fazer entender por nosso cão.
Estudos na área de etologia demonstram que os cães utilizam uma imensa variação gestual, sonora e química para se cumprimentar, estabelecer a hierarquia na matilha, comunicar seus estados emocionais como a alegria, a raiva, o medo, a ansiedade, a excitação, a impaciência, a surpresa, assim como suas necessidades.
Se em parte é possível entender os cães e nos comunicarmos com eles, nossa capacidade de compreender sua linguagem é ainda muito limitada. Nossa audição nos permite escutar as mensagens sonoras, nossa visão de ver a postura corporal e facial, nosso tato de fazer contato, no entanto nosso olfato é muito inferior ao dos cães. O que transforma em verdadeiro enigma seus sinais olfativos.
  Os feromônios, substâncias que todo o ser vivo exala e que possuem valor de comunicação, transmitem informações sobre medo, confiança e raiva. Através da secreção destas substâncias químicas, os cães também obtêm uma série de informações uns dos outros como, o sexo, a idade, o período do cio das fêmeas, etc. Nós temos pouco acesso a estas informações olfativas, só percebemos isto inconscientemente. Os cães, ao contrário, tem amplo acesso e se comunicam massivamente através destes sinais.
Nos resta tentar compreender nosso peludo pelo que vemos e ouvimos dele sem cair no antropomorfismo, ou seja, nossa tendência de interpretar as coisas somente pelo ângulo humano. Infelizmente, isto é muito comum e gera ruído na comunicação entre homem e cão. A maneira de se evitar isto é entender o assunto da forma correta, através da psicologia canina e nunca interpretar as atitudes dos cães com psicologia humana.
Na verdade, o cão é um campeão da comunicação. Todo seu corpo é fonte de expressão, a postura das patas, a posição das orelhas, a expressão facial, a direção do olhar, o movimento do rabo, tudo isto acompanhado de sons produzidos por ele para passar uma mensagem. Um conjunto que forma uma linguagem complexa.
Assim sendo, a vontade dos cães de se comunicar conosco, ou seja, de se relacionar, de interagir, é clara e merece, por isto, o nosso respeito.
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