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Importância do pedigree
  Enviado em Thu 15 Oct 2009 por Elenice (329 leituras)
Por: Elenice Dueñas,
jornalista.
  Certas reflexões sobre a emissão de registros de cães no país são muito importantes. Minha intenção aqui é clarear um pouco os meandros da cinofilia para um público leigo que não sabe exatamente qual a importância de se ter um cão registrado.

A palavra pedigree significa “origem genealógica de um animal de raça pura”. Isto no Brasil funciona da seguinte forma, se o cão tem a árvore genealógica completa é emitido pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), filiada à Fédération Cynologique Internationale (FCI) com sede na Bélgica, o Certificado de Registro de Origens (CRO), o chamado pedigree, atestando que o cão é de raça pura.

Segundo ponto importante, para cada raça de cão há critérios particulares definidos por um standard. Este standard determina de maneira precisa as características morfológicas e de temperamento do “cão ideal”, ou seja, o que estiver conforme o padrão da raça.

Apesar do ideal ser o cão possuir pedigree e estar de acordo com o padrão da raça, na prática os dois itens nem sempre caminham de mãos dadas. Por isto, não se iludam, pois um não é necessariamente sinônimo do outro, ou seja, um cão com pedigree não é automaticamente um cão dentro do padrão da raça.

  Para quem não sabe, os cães que recebem o documento da cor azul são chamados de “puro sangue”. Tem a árvore genealógica da família completa há várias gerações. Ninguém contesta o “sangue nobre”, que fornece informações valiosas do animal, pois é uma base de trabalho para os criadores preocupados com a seleção na hora da reprodução.

Já os cães com o documento da cor marrom, chamado Certificado de Pureza Racial (CPR), enfrentam um estigma. São, para alguns, uma espécie de “bastardos caninos”. Sim, pois estão dentro do padrão da raça, mas ninguém sabe ao certo suas origens. Como alguém que nasce e não tem registro do nome do pai na carteira de identidade. Fica aquele mal-estar, pela cara da criança todos sabem quem é o progenitor, mas ninguém pode afirmar com 100% de certeza.

Como os exames de DNA são acessíveis a poucos, fica o dito pelo não dito. Mas, da mesma forma como os humanos, isto não acaba desmerecendo o animal. Muitas vezes ao contrário, pode haver sujeitos muito bem qualificados capazes, inclusive, de ajudar a melhorar a qualidade do plantel.

No entanto, particularmente, me impressiona um país como o Brasil até hoje não ter adotado certas medidas a fim de aprimorar as raças aqui existentes.

  O que costumamos chamar aqui de pedigree, em muitos países não passa de um Certificado de Nascimento, pois mesmo com a genealogia completa, o cão só receberá o pedigree definitivo quando passar por um exame de confirmação. O que ocorrerá quando ele completar um ano de idade ou 15 meses, dependendo da raça. Período em que seu crescimento estará completo.

Nesta ocasião, um juiz expert da raça, credenciado pela FCI, vai examinar o cão e, se este estiver dentro das conformidades do standard, tanto morfológico quanto de temperamento, com todos os exames médicos ok e no caso das raças de trabalho tiver aptidão para tal, receberá finalmente o pedigree definitivo. Isto significa que o peludo, além de ser puro, está também dentro do padrão da raça.

Quanto aos descendentes de cães com o CPR as normas aqui, daí sim, parecem seguir a tendência mundial. Estes somente a partir da terceira geração têm direito ao pedigree definitivo. Todavia, no País, ainda não se faz rigorosa a exigência de certos exames clínicos, com o intuito de preservar a raça de graves doenças hereditárias.

Penso que se todas estas normas fossem aplicadas, o plantel nacional só teria a ganhar, sem dúvida alguma. Protegeria também as pessoas interessadas em adquirir um filhote com pedigree, dentro do padrão da raça. Medidas assim implicariam ainda em maior responsabilidade por parte dos proprietários de canis.

  Acredito ser esta a maneira mais séria de se proceder se estamos realmente preocupados em aprimorar as raças existentes no Brasil. O jeito como as coisas são feitas hoje no nosso país parece um tanto bizarro. Porque todo criador sabe que em uma ninhada nem todos necessariamente na idade adulta estarão dentro do padrão da raça, mesmo advindos de campeões de pista. No entanto, todos da ninhada têm direito ao documento da cor azul, mesmo se quando crescerem for constatado falhas no padrão da raça, tanto de estrutura quanto de temperamento ou, ainda pior, alguma doença hereditária que comprometa a qualidade de vida do animal.

Em contrapartida, um cão no padrão da raça sem a árvore genealógica completa, torna a descendência uma incógnita.

Hoje, não existem estatísticas sobre a qualidade dos milhares de cães que saem dos milhares de canis brasileiros todos os anos. Os interessados em adquirir um cão, se não quiserem ficar à mercê da sorte, devem se munir de informações sobre o trabalho do canil.

Apesar destes problemas, não se desespere, não se atire no mais baratinho, pois você corre o risco de decepção imensa. Sem falar que nestas horas ou você contrata um advogado ou entra na fila de reclamações do Procon.

Ainda que a emissão dos documentos no nosso país precise passar por alguns ajustes, é uma das garantias que temos de adquirir cães saudáveis e com a forma e o temperamento que esperamos deles, se adquiridos de criadores responsáveis. Então, este é mais um alerta para que todos leiam, se informem e não se atirem na primeira opção, se não quiserem comprar gato por lebre.

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