Por: Elenice Dueñas, jornalista.
Fotos: Katia Maciel e captura de tela.
Quem adquire um animal de estimação adquire também uma série de responsabilidades. Entre estas, o recolhimento dos dejetos do cão, ou do gato, em ruas, praças e parques. No cocô de Norbu e de Shanti, ninguém pisa. Porque o recolhemos. Afinal, os espaços públicos não devem ser "a casa da mãe Joana".

Hoje, mais e mais pessoas estão aderindo ao hábito, mas este número ainda é pequeno. Prova disto é o que vemos diariamente nas ruas de nosso País. Apesar de muitas pessoas terem consciência, muita gente ainda não assumiu a responsabilidade de zelar pela limpeza dos espaços públicos (
captura de tela à esquerda). Isto também inclui jogar o lixo no lixo e não na grama nem nas ruas.
Não há mistério, é uma atitude simples. Não requer nenhum curso aprimorado, nem pós-graduação em saúde pública. No entanto, praticá-lo é, sim, uma questão de educação, mas daquela educação que nasce da conduta de um cidadão. Encontramos esta motivação em nós mesmos, pois isto faz parte do nosso modo de ver, sentir e interagir com o mundo.
Por incrível que pareça, alguém que recolhe os dejetos do cão não só faz bem como se sente bem. Não há lugar para desculpas, como: "
não vou recolher porque a praça está suja e ninguém recolhe". E daí? Só porque há pessoas que não tomam banho você vai também deixar de tomar?

Esta história de deixar o cão fazer as necessidades na praça, virar a cara para o lado como se o amado
pet fosse um cão de rua abandonado sem ninguém responsável, só para não ter que juntar o cocô, é pra lá de ridícula. Mas acontece, sabiam? Com uma câmara escondida (
captura de tela à direita), a produção do programa "
Câmara Record" flagrou vários proprietários de
pets, nas ruas e em praças públicas da capital paulista, perdendo a oportunidade de serem bons cidadãos. Provando que vergonhoso é não recolher. Aquela postura de Napoleão quando perdeu a guerra não é vergonhosa. Patética é a falta de higiene, ao não retirar os dejetos do cão do local. O animal não tem culpa. O responsável é o proprietário do cão ou gato.

Daí, surgem argumentos que, na verdade, são meras desculpas "esfarrapadas", como dizia a minha avó. "Vergonha", "nojo", "esquecimento"... tudo balela. Se a pessoa nunca pensou no ato e se depara com uma campanha de conscientização e muda sua postura: nota 10. Agora, se ela toma contato com as campanhas de
posse responsável e continua não recolhendo os dejetos do cão em locais públicos... bem, aí alguém duvida que seja falta de educação? Eu não duvido.
A verdade é que este ato de higiene pública nem precisaria ser lei, se a população fosse mais educada. Enquanto isto ainda não é realidade e esperando que um dia cada um faça a sua parte, nós continuamos fazendo a nossa, ou seja, recolhendo os dejetos dos nossos mascotes. Além disto, continuamos engajados e apoiando campanhas de conscientização porque acreditamos que é a melhor forma de mudar este cenário.
Colocando a mão na massa
Integramos o Grupo
Cockers de São José dos Campos, proprietários que adoram seus mascotes e se reúnem algumas vezes por ano em uma praça da cidade para trocar informações sobre a raça, socializar os cães e abordar vários temas relacionados, como a posse responsável. Desde o primeiro encontro, em outubro de 2007, o ato de recolher os dejetos dos cães na praça foi enfatizado. No início, houve estranhamentos e alguns ignoraram. No segundo encontro, em março de 2008, foi convidada a companhia teatral
Sem Máscaras para abordar o assunto. Em forma de esquete, os artistas sensibilizaram o público. Irapa participou da cena simulando o recolhimento do cocô (
foto acima, à direita e abaixo, à esquerda).

Não parou por aí. Fui até a Secretaria de Meio Ambiente da cidade, que na época confeccionou sacos plásticos com estampa mostrando passo a passo como recolher o cocô e não se sujar. A coordenadora da campanha, Aída Taucci, me forneceu vários que são até hoje levados aos encontros e que ficam à disposição para quem precisa. Os sacos são distribuídos a todo participante que esquece de levar o seu. Atualmente, eles têm sido pouco solicitados porque a maioria do grupo não esquece de levar o próprio saquinho. Os que esquecem vêm nos pedir. Com alegria, hoje, podemos dizer que 100% dos proprietários de cockers que freqüentam nosso encontro recolhem os dejetos de seus cães. Se há algo que nós pudemos nos orgulhar, e eles ainda mais, é isto.
Cão em quadrinhos 
Duas irmãs de Porto Alegre, Ana Carolina e Manoela Trava Dutra, lançaram uma campanha bem direta: "
Cagada é não recolher". O objetivo final é motivar as pessoas a recolherem os dejetos de seus cães. No site da dupla, estão disponíveis também
banners para sites e
blogs que aderem a idéia. A campanha desafia os mais reticentes: "
Mostre que aquilo que seu cachorro faz na rua não é o que você tem na cabeça."
E termina com uma pergunta:
- "
Nós recolhemos, e você?"