Rafting em Juquitiba
Rafting para cachorro, nas corredeiras do rio Juquiá, em Juquitiba, São Paulo. Antes de entrar na água, instruções básicas de remadas e de segurança. As três principais corredeiras são: Pauleira, Tobogã e Tapetão. Tudo pronto, faltava criar um "grito de guerra". Por sugestão do nosso instrutor Da Lua, da Canoar, aceitamos "Superdogs". Colocamos o bote inflável no rio e começamos a aventura com Norbu e Shanti.
Da Lua é maluco, mas no bom sentido. Da pequena experiência que já havíamos tido com rafting, foi o primeiro instrutor a nos "assustar". Calma, era tudo brincadeira. Para quem já enfrentou as corredeiras de Brotas, encarar o Juquiá, dependendo da época do ano e do nível das águas do rio, pode ser uma experiência bem tranquila. Neste sentido, para nós pelo menos, foi uma mescla entre o floating e o rafting feitos em 2009, em Brotas, SP.
O diferencial para esta que vos escreve foi que desta vez eu remei bastante. Os cães puderam ir soltos no bote. Enquanto Shanti estava grudada em nós, Norbu super alegre andava de um lado para o outro dentro do bote observando as cores e os sons da mata Atlântica. No entanto, esta descida com longos remansos nos trouxe uma surpresa.
No primeiro remanso mais longo, Norbu começou a ficar inquieto com a calmaria. De repente Da Lua gritou perplexo: "o cachorro vai pular na água". Olhei para trás e só vi a traseira de Norbu empinada e o corpo pronto para um mergulho nas águas do Juquiá. Estava tudo muito "parado" para o mochileiro que decidiu colocar uma adrenalina na aventura. Começamos a dar "ré". Norbu nadava atrás do bote na ânsia de nos alcançar.
O orelhudo nadou forte e conseguiu chegar até o bote. Da Lua se esticou e puxou Norbu pela coleira de peito do cão. Foi ele ser lançado para dentro do bote e entramos na corredeira. Não sobrou tempo nem para dar uma bronca no peludo. Nem precisou, cães aprendem tudo muito rápido na prática. A partir dali, o aprendiz de rafiteiro ficou ligado e não ousou mais pular do bote.
Depois daquela, achamos mais apropriado trocar nosso nome de guerra para "Aquadogs". Norbu encharcado. Shanti sequinha, foi se acomodar na proa do bote. Ali deitou, deu um suspiro, fechou os olhos e começou a dormir. Como se estivesse nos dizendo: "- quando acabar tudo isto vocês me acordam, ok"? A orelhuda é caseira, não tem jeito. De sonolenta, passou a emburrada quando, inevitavelmente, "molhou a cara" com a água do rio.
No meio do percurso paramos para uma brincadeira com todos unidos, alguns ducks nos acompanhavam. A idéia era pular de uma rocha para dentro da queda d'água. Irapa encarou o desafio com vontade.
Ao todo foram umas oito quedas, todas de nível II. Entre os remansos há dois bem longos. No último remanso, suamos bastante. Nesta etapa, deu para cansar os braços e as pernas. Segundo Da Lua, a galera atleta que participa dos campeonatos oficiais (assim como ele) faz aquele trajeto de 7km em 18 minutos. Nós fizemos o mesmo percurso em cerca de 2 horas. Vou usar como desculpa que fomos "apreciando a paisagem"... hehe!
Ao longo do caminho vimos várias aves, como garças e biguás. As intempéries de 2009 deixaram marcas na região, visíveis ainda hoje nas margens do rio. Podía-se ver árvores centenárias caídas com dezenas de bromélias, símbolo da flora da região. Devido ao grande volume de água, muitas corredeiras conhecidas dos rafiteiros estavam encobertas.
Na reta final, eu já estava exausta de remar em frente. Assim, pela última e definitiva vez, trocamos nosso grito de guerra para "Mundo Cão". No final da descida, chocolate quente aguardava os bravos iniciantes do rafting.
Nós descemos as corredeiras do Juquiá pela Canoar Rafting e Expedições de José Roberto Pupo, pioneiro do rafting no Brasil, na modalidade com remos individuais. O empresário e atleta é tri-campeão Brasileiro de rafting, vice-campeão Sul-americano de canoagem e foi técnico da seleção olímpica de canoagem do Brasil, em Barcelona (1992). Agradecemos ao nosso instrutor, Da
Lua, e ao Sérgio que nos acompanhou no duck. Juquitiba, junho de
2010. *Edição e texto: Elenice Dueñas **Fotos: Sérgio (Canoar).
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